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Seedz, a “moeda digital” do campo, atrai 10b e Volpe Capital em rodada

19 de outubro de 2021 - 09:26

A Seedz, dona de uma plataforma de relacionamento e fidelidade, vai entrar na área de crédito para agricultores com o aporte. O fundador Matheus Ganem conta com exclusividade os planos ao NeoFeed

• Leia em 4 min 
Os fundadores da Seedz: Daniel Rosa (à esq.) e Matheus Ganem

A agtech Seedz, dona de uma plataforma de relacionamento e de fidelidade voltada para as empresas do agronegócio e produtores rurais, está recebendo seu primeiro aporte institucional e está unindo dois investidores que têm vocação distintas.

De um lado, a 10b, uma das gestoras da SK Tarpon, liderada por Marcelo Lima, especializada em investimentos em empresas do agronegócio. De outro, a Volpe Capital, fundo focado em tecnologia fundado por André Maciel, ex-managing partner do Softbank na América Latina, Milena Oliveira (ex-Pinheiro Neto) e Gregory Reider (ex-Warburg Pincus).

Os dois fundos lideram uma rodada seed, que não teve o valor divulgado, na Seedz. Participaram da rodada também a The Yeld Lab, um fundo americano focado em agronegócio que investe na América Latina (a TerraMagna é um de seus investimentos no Brasil), e a Tridon Participações, family office ligado à família Nishimura, dos fundadores do grupo Jacto.

“A intenção foi trazer investidores com expertise diferentes”, afirma Matheus Ganem, cofundador e CEO da Seedz, com exclusividade ao NeoFeed. “São desde investidores com bastante conhecimento em agronegócio até aqueles com mais expertise no universo digital.”

Em cinco anos atraiu 900 empresas, como John Deere, AgroGalaxy, UPL, Yara, Helm, Belagrícola, Yoshida, Cocamar, Fiagril e Agrex, entre outras. Na plataforma, estão também mais de 9 mil profissionais e cerca de 65 mil produtores rurais.

“Estávamos em conversa há quase um ano. E além de estar alinhada a nossa tese, a Seedz tem um time completo e a cultura do 5S: sangue, suor, sola de sapato e saliva”, diz Lima, sócio da 10b. “Eles conhecem o setor e tem uma capacidade de execução enorme.”

A Volpe Capital enxerga na startup a capacidade de digitalizar o setor. “Ela é a única plataforma tecnológica que cobre a cadeia inteira do agronegócio”, diz Milena Oliveira, sócia da Volpe Capital. “O agro representa um quarto do PIB e ainda é um setor offline.”

As empresas usam a plataforma da Seedz para fazer campanhas de marketing, incentivando vendedores de seus distribuidores e revendedores a cumprir metas de vendas e receber a “seedz”, a moeda digital do campo, que podem ser trocadas por prêmios.

Os produtores rurais, por sua vez, também recebem a moeda, à medida que fazem compras das empresas que participam do programa e trocam por produtos e serviços que vão ajudar no dia a dia da fazenda, como drones ou sistemas de gestão para controlar pragas. Eles podem receber também cashback.

O modelo de negócio da Seedz é misto. Uma parte da receita vem de uma mensalidade paga pelas empresas para usar a plataforma da startup e assim se relacionar com distribuidores, revendedores e produtores rurais. A outra é de uma companhia tradicional de fidelidade, como a Smiles – a Seedz vende sua moeda por um preço e faz a troca dos produtos e serviços por outro, ganhando no spread.

Com os recursos do aporte, o plano da Seedz é entrar em serviços financeiros e digitais, além fornecer soluções de gestão para a fazenda. A startup mira também em M&As. O alvo, de acordo com Ganem, são empresas que tem soluções para planejamento de safra e que ajudem os agricultores a tomar decisões.

A estratégia envolve também a captação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para fazer empréstimo próprios aos agricultores. Mas Ganem admite que começará pequeno e que a Seedz atuará também na originação para outras instituições financeiras, ganhando um fee na transação.

O pulo do gato da Seedz para entrar em serviços financeiros é o que muitas empresas alegam para ser assertiva e reduzir inadimplência: os dados de quem está tomando crédito. Como une diversas pontos do setor agro, a startup coleta muitas informações que são úteis para não levar um calote.

Atualmente, o faturamento anual da base de empresas que usam a Seedz é de R$ 35 bilhões. Essas transações não passam necessariamente pela plataforma da startup, mas a companhia sabe o que é movimentando por conta da integração de sua plataforma com o ERP das companhias para receber a moeda digital ou para resgatar prêmios.

Um dos concorrentes da Seedz é a plataforma Orbia, que pertence a Bayer, e que atua como um programa de fidelidade e um marketplace. Questionado se pretende transacionar diretamente pela plataforma, Ganem diz que não tem planos, no curto prazo, de adotar essa estratégia.

Filho de um pequeno agricultor, Ganem se formou em engenharia e foi trabalhar no grupo italiano Maccaferri, que tradicionalmente tem soluções de engenharia civil. Lá, ele começou a desenvolver uma área de agronegócio e viu que a relação  com os agricultores era muito analógica. Foi então que teve a ideia de criar a Seedz em conjunto com Rosa.

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