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O que o visionário das fintechs enxergou na brasileira Onze

Rogério Cabral
25 de maio de 2021 - 14:55
Ralphe Manzoni Jr.

A gestora do venezuelano Meyer “Micky” Malka, que acabou de ser nomeado para o conselho do Nubank, tem algumas das principais fintechs do globo. Entre elas, está a Coinbase, a maior corretora de criptomoedas dos EUA, que acabou de abrir o capital na Nasdaq e vale US$ 59 bilhões.

Outro exemplo é a Brex, startup dos brasileiros Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, avalida em US$ 7,4 bilhões. Foi Malka também que resgatou o Robinhood, na chamada revolta das sardinhas, no fim de janeiro deste ano.

A nova aposta de Malka é na Onze, uma fintech que tem o plano de levar tecnologia para um setor que até agora passou a margem da digitalização de outros serviços financeiros, como pagamentos, cartão de crédito e investimentos.

“As fintechs transformaram o setor financeiro brasileiro, como o de cartão de crédito e o de investimentos, que eram dominados por grandes bancos”, diz Antonio Rocha, CEO e fundador da Onze, ao NeoFeed. “Vimos a oportunidade de fazer a mesma coisa com a previdência.”

Nesse momento, a Onze está se concentrando em oferecer seus serviços às empresas. Mas o objetivo é, até o fim do ano, começar a atuar em planos de previdência para pessoas físicas.

“A Onze está desafiando o status quo na indústria de previdência no Brasil e não poderíamos estar mais animados com essa missão”, disse Malka, em nota, sobre o aporte na startup.

A experiência da Onze é 100% digital, por meio de um aplicativo que recomenda os melhores fundos para se investir. “O funcionário faz tudo online: verifica saldo, faz gestão de aportes, regaste e troca de fundos”, afirma Rodrigo Neves, COO da Onze. “É tudo integrado ao sistema da seguradora.”

Umas das novidades é o que os executivos da Onze estão chamando de um “plano de saúde” para as finanças dos funcionários. “Ele faz um check-up das finanças pessoais”, diz Neve. Além disso, especialistas estão à disposição para tirar dúvidas do dia a dia sobre problemas financeiros dos funcionários das empresas.

A Onze tem uma parceria com a seguradora Zurich e distribui cerca de 20 fundos de gestoras e bancos como Angá, ARX, BNP Paribas, BTG Pactual, Valora, entre outras.

A startup é também uma gestora e está constituindo dois fundos de renda fixa para oferecer aos seus clientes. As taxas médias de administração cobradas variam entre 0,5% e 1%. “Esse mercado vai evoluir para um cenário de diversificação de fundos e de taxas mais baixas”, afirma Rocha.

Rodrigo Neves (à esq) e Antônio Rocha, da Onze

Com o aporte, a meta da Onze é dobrar o tamanho da equipe, hoje na casa dos 40 funcionários, bem como conquistar 100 empresas como clientes – atualmente, são 15, cujos nomes não são divulgados. Até 2022, o objetivo é pelo menos atingir um  volume de recursos sob custódia e sob gestão de aproximadamente R$ 1 bilhão.

A área de previdência privada aberta no Brasil gere cerca de R$ 1 trilhão em ativos e soma 13,5 milhões de participantes, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Mas esse é um setor em que as fintechs pouco exploraram até agora.

“Quando se olha o setor de seguros, ele está um passo atrás no cenário das fintechs. O produto de previdência, mais ainda”, afirma Bruno Diniz, sócio da consultoria Spiralem. “É um produto que não sofreu muitas evoluções, nem na forma de contratação.”

Em abril deste ano, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) abriu consulta pública para receber sugestões sobre a regulamentação do Open Insurance.

A ideia é criar normas para permitir que consumidores acessem e compartilhem seus dados com outras seguradoras e terceiros, assim como o open banking. “Quem se preparar antes, terá condições de estar melhor posicionado”, diz Diniz.

Rogério Cabral
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