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Planejamento

Com mais de 60 milhões de brasileiros sem pagar dívidas, como quitá-las até o final do ano?

09 de dezembro de 2022 - 09:45

Walter Franco, professor do curso de Ciências Contábeis da Unicid, explica quais são os melhores caminhos para os endividados saírem do vermelho o mais rápido possível

Colocar a vida financeira em dia exige comprometimento e mudança de postura em relação à renda mensal. Não será exatamente rápido sair das dívidas, mas com um bom planejamento é possível encerrar de uma vez por todas o ciclo de endividamento.

A falta de planejamento financeiro é um dos grandes responsáveis pelo alto índice de inadimplência no país: a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou que o número de famílias endividadas atingiu, em agosto, 79% do total de lares no país. Já um levantamento da Confederação Nacional de Dirigente Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que quase 40% dos brasileiros adultos, um universo de mais de 62 milhões de pessoas, estão com contas em atraso.

O professor do curso de Ciências Contábeis da Unicid Walter Franco ressalta que sair das dívidas é tarefa difícil e que exige bastante determinação.

“Normalmente a pessoa se torna inadimplente por manter o padrão de consumo e gastos acima de suas capacidades financeiras, nada mais que isso. Obviamente, existem exceções como gastos inesperados com doença, família, etc., mas em todos os casos, cuidar das contas e honrar seus compromissos é essencial”, considera.

É fundamental discutir e renegociar com o banco, por exemplo, um desconto nos débitos e tentar redefinir prazos e valores conforme suas capacidades de pagamento.

“Deve-se buscar, se possível, o corte de despesas e a reorganização das finanças de toda a família de forma a colaborar com a sobra de caixa para pagamento das parcelas em atraso”, completa.

O aumento da renda familiar é uma saída da inadimplência. Uma pesquisa feita pela Acordo Certo que mostra que 77% dos entrevistados gostariam de ter uma atividade extra, mas não sabem como fazer. Isso prova que ainda falta conhecimento sobre a alternativa para grande parte da população.

Assim, Walter afirma: ter uma renda extra é uma ótima alternativa. “Uma renda extra, combinada com mudança de hábitos de consumo e contenção de desejos de consumo em excesso, pode contribuir para a eliminação dos problemas financeiros da maioria da população.”

O professor diz que conhecer quais são os tipos de dívidas mais comuns permite que a pessoa tome decisões mais assertivas e se planeje da melhor forma possível para realizar o pagamento em dia. “Vale destacar que em cenários de crise econômica e de alta inflação, o endividamento deixou de ser resultado apenas do descontrole financeiro e se tornou algo comum, causado por diversos fatores”.

Entre os principais tipos de dívidas da atualidade, Franco destaca o cartão de crédito. “Principalmente quando não é paga a fatura do cartão na sua totalidade no fim do mês, pois os juros encontram-se bem altos atualmente. Outros fatores de endividamento são o uso indiscriminado do cheque especial e de crédito pessoal para fins pouco relevantes que, num segundo momento, acaba por onerar o consumidor. Enfim, toda dívida contraída em excesso, e a despeito de seu custo ou taxa de juros, irá se tornar um problema se não for quitada nos prazos combinados originalmente.”

Por fim, o professor de Ciências Contábeis da Unicid salienta que para evitar novas dívidas, aulas de educação financeira são importantíssimas. “As pessoas precisam entender de juros, câmbio, custo do dinheiro, custos dos mais diferentes instrumentos de crédito e diferenças essenciais. Bem como a importância de nunca gastar mais do que recebe sob a forma de rendimentos. Dívidas novas devem ser evitadas como solução de dívidas antigas.”

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